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Mais fácil de digerir do que o leite, o iogurte é também rico em proteínas, cálcio e fósforo. Conheça os sinais de alerta para evitar problemas.Leite ou Iogurte?

O iogurte surgiu como uma forma de conservar o leite durante mais tempo, mas tornou-se um produto muito diferente. Natural ou açucarado, aromatizado com ou sem pedaços de fruta, o iogurte faz parte da alimentação diária de muitos portugueses. É obtido através da coagulação do leite, pela ação de duas bactérias (streptococcus thermophilus e lactobacillus bulgaricus) que transformam a lactose (açúcar do leite) em ácido láctico. O iogurte conserva as propriedades do leite, mas de forma mais durável.

Consumir em segurança
Se não forem bem conservados, os iogurtes deterioram-se com facilidade. O mesmo acontece se o leite de origem ou os fermentos forem de má qualidade ou se o tratamento a que é submetido for deficiente.

Um iogurte estragado pode mesmo levar ao hospital. A nossa associada Tânia Guerreiro comprou iogurtes líquidos numa loja da cadeia Pingo Doce, em Beja, a 3 de março. Ingeriu-os nos dias seguintes e só quando começou a sentir um forte mal-estar se lembrou de reparar na data de validade inscrita nas embalagens. Foi com grande admiração que Tânia confirmou que o prazo recomendado de consumo tinha expirado a 10 de fevereiro. Sofreu durante alguns dias os efeitos de uma gastroenterite e chegou mesmo a receber assistência médica no centro de saúde local.

Quando recuperou, dirigiu-se ao supermercado e expôs o caso, solicitando o livro de reclamações. Os responsáveis da loja tentaram convencer Tânia a não registar a queixa e a nossa associada perguntou-nos como proceder. Aconselhámos a nossa associadaa regressar ao supermercado e a registar a queixa no livro de reclamações, o que fez.

Poderia também denunciar a situação à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), porque as lojas não podem expor nem vender produtos com a validade ultrapassada. Pode fazê-lo através do portal da ASAE ou por carta, para a Rua Rodrigo da Fonseca, 73, 1269-274 Lisboa. Entretanto, Tânia já foi contactada pela seguradora da loja. Foi-lhe prometido o reembolso das despesas médicas e medicamentosas associadas ao episódio de gastroenterite.


Cuidados a ter

Para evitar situações como a de Tânia Guerreiro, convém verificar a validade dos alimentos no supermercado e levar para casa os que tiverem o prazo mais longo. Verifique se estão conservados a baixas temperaturas (deve estar refrigerado) e prefira os que estão mais ao fundo da prateleira, afastados das lâmpadas. Já em casa, guarde-os no frigorífico, entre 0 e 6ºC.
Alguns indicadores de que o iogurte já não se encontra nas melhores condições:

  • acentuada separação do soro;
  • uma superfície granulosa ou descontínua e a formação de água de condensação na tampa;
  • embalagens inchadas.

Rejeite-os se tiver passado o prazo.

Vigie os prazos
É essencial saber distinguir entre durabilidade mínima (“consumir de preferência antes de...” ou “consumir de preferência antes do fim de...”) e data-limite de consumo (“consumir até...”).A data de durabilidade mínima refere-se a alimentos como arroz, grão, bolachas, chocolates e massas. Nestes casos, ainda que possa haver alterações ao nível do sabor, da textura, da cor e do cheiro se a data indicada na embalagem for ultrapassada, os alimentos podem ser consumidos com relativa segurança. Nos produtos com a menção “consumir de preferência antes de...”, o prazo de validade é indicado com o dia, mês e ano. A menção “consumir de preferência antes do fim de...” deve ser precedida do mês e do ano.

Já a data-limite refere-se a alimentos muito perecíveis, como queijo fresco, iogurte e carne de aves, e deve ser respeitada. Caso contrário, o consumidor pode sofrer uma toxi-infeção alimentar, se ingerir um produto contaminado. Nestes casos, a seguir à menção “consumir até...”, é indicado o dia, o mês e, eventualmente, o ano (por esta ordem) até ao qual pode ser consumido. Se o produto não tiver qualquer menção, respeite a validade indicada na embalagem.

Valor nutricional do iogurte
Tal como o leite, o iogurte é rico em proteínas, cálcio e fósforo. As proteínas são indispensáveis à construção dos tecidos. No leite de vaca, o teor em proteínas ronda os 3%, mas o valor pode variar. No iogurte, o teor em proteínas pode ser superior ao do leite, porque, por vezes, são adicionados ingredientes como proteínas lácteas ou leite em pó desnatado. A dose de cálcio recomendada por dia é de 800 mg para uma pessoa com as necessidades normais. A inclusão de produtos lácteos é importante na obtenção desta dose.

O valor calórico do iogurte vem, essencialmente, das gorduras lácteas e dos açúcares. O consumo excessivo de açúcares simples favorece a obesidade, porque o excesso de açúcar consumido é transformado em gordura e armazenado nas células do tecido adiposo de reserva. Assim, verifique os rótulos dos iogurtes, compare e veja o mais adequado. A gordura do leite e dos produtos lácteos é de constituição complexa. Entre outras funções serve como fonte de energia. Pelo seu teor em vitamina A e D, tem uma ação importante no crescimento e desenvolvimento, sobretudo durante o período em que a alimentação é exclusivamente ou predominante láctea.

O teor em gordura é variável, com iogurtes gordos (mínimo de 3,5 por cento de gordura na parte láctea), meio-gordos (entre 1,5 e 1,8 por cento na parte láctea) ou magros (máximo de 0,3 por cento na parte láctea). O teor de açúcares, com exceção dos iogurtes naturais, é, no geral, elevado. Por isso, não adicione açúcar ao seu iogurte.

Atualmente, existe uma grande variedade de iogurtes à venda. Em média, o valor energético, por cem gramas de iogurte, é de:

  • 42 calorias (176 quilojoules), se for natural magro;
  • cerca de 55 calorias (230 quilojoules), se for natural meio-gordo;
  • cerca de 70 calorias (293 quilojoules), no caso dos líquidos aromatizados meio-gordos;
  • cerca de 61 calorias (255 quilojoules), no caso dos líquidos aromatizados magros.

O iogurte é mais fácil de digerir do que o leite. Muitos adultos não conseguem beber leite, porque o seu organismo não consegue assimilar a lactose. Regra geral, podem substituir o leite pelo iogurte, sem quaisquer problemas.

Iogurte ou leite fermentado: a diferença está nas bactérias
O que distingue os iogurtes e leites fermentados dos restantes produtos lácteos são as bactérias que entram na sua composição e intervêm no processo de fermentação. Num iogurte, são duas: a Streptococcus thermophilus e a Lactobacillus bulgaricus.

Aos leites fermentados, além destas, podem ser adicionadas bactérias como a Lactobacillus casei, a Lactobacillus acidophilus e bifidobactérias. Pensa-se que estes microrganismos podem ter efeitos benéficos para a saúde. Mas, segundo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), a maioria dos efeitos terapêuticos e preventivos, sobretudo ao nível do sistema imunitário e do controlo do colesterol, ainda não foram provados.

Enquanto não surgirem novas informações, tente variar entre iogurtes e leites fermentados, quer pelos benefícios nutricionais, quer pelos que possam advir da microflora adicionada.

Fonte: DECO